ORIENTAÇÕES TÉCNICAS

DIAGNOSE VISUAL DE CARÊNCIA NUTRICIONAL EM PLANTAS
19/11/2014

A diagnose visual é uma técnica baseada no fato de que plantas sofrendo deficiência ou excesso de um elemento mineral, normalmente apresentam sintomas definidos e característicos dos distúrbios que  eles provocam.
 
Consiste em identificar os sintomas de deficiência do nutriente, geralmente apresentados nas folhas. Os sintomas tornam-se claramente visíveis quando a deficiência é aguda e o nível de desenvolvimento e de produção foram severamente afetados.
 
Este método apresenta como principal vantagem, não requerer equipamentos sofisticados e pode ser usado como um suplemento às outras técnicas de diagnose da fertilidade do solo ou estado nutricional da planta. Outro aspecto positivo é o de que a planta age como integradora de todos os fatores de crescimento. Por outro lado, a diagnose visual pode ser de difícil identificação quando mais de um nutriente está deficiente ou quando também ocorre deficiência de um nutriente simultaneamente com a toxidez de outro. Assim, a  diagnose visual pode ser confirmada, associando-a com outras técnicas como as análises químicas de solo e foliar.
 
Para aumentar a eficiência da diagnose visual é absolutamente indispensável conhecer os  sintomas apresentados pelas plantas. O Quadro abaixo apresenta uma  descrição detalhada dos sintomas de deficiência e excessos de nutrientes e algumas das suas consequências (MALAVOLTA et al., 1997). As Fotos auxiliam na identificação dos principais sintomas de deficiência para as culturas de maior importância.
 
Sintomas de deficiências e excessos de nutrientes nas plantas:
 
 
NITROGÊNIO
 
·  Sintomas de deficiência
 
 Visíveis
Folhas amareladas, inicialmente as mais velhas, como resultado da proteólise;
Ângulo agudo entre caule e folhas;
Dormência  de gemas laterais;
Redução no perfilhamento;
Senescência precoce;
Folhas menores devido ao   menor número de células.
 
Químicos
Baixo teor de clorofila;
Produção de outros pigmentos algumas vezes.
 
Crescimento
Em geral diminuído, com possível aumento no comprimento das raízes em alguns casos.
 
Citológicos
Pequenos núcleos;
Cloroplastos pequenos.
 
Metabólicos
Redução na síntese de proteínas;
Alto conteúdo de açúcares e alta pressão osmótica.
 
·  Sintomas de excesso
 
Em geral não identificados; pode haver redução na frutificação.
 
 
FÓSFORO
 
·  Sintomas de deficiência
 
 Visíveis
Cor amarelada das folhas, a princípio das mais velhas, pouco brilho, cor verde-azulada ou manchas pardas;
Ângulos foliares mais estreitos;
Menor perfilhamento;
Gemas laterais dormentes;
Número reduzido de frutos e sementes;
Atraso no florescimento.
 
Químicos
Aumento de pigmentos vermelhos ou roxos em algumas espécies;
Aumento no conteúdo de carboidratos;
Aumento na relação P orgânico/P inorgânico.
 
Anatômicos
Restrição na diferenciação dos caules.
 
·  Sintomas de excesso

Não reconhecidos diretamente: pode haver deficiência de micronutrientes, metais pesados (Cu, Fe, Mn, Zn).
 
 
POTÁSSIO
 
·  Sintomas de deficiência
 
 Visíveis
Clorose e depois necrose das margens e pontas das folhas, inicialmente das mais velhas;
Internódios mais curtos em plantas anuais;
Diminuição da dominância apical;
Menor tamanho de frutos (laranja);
Deficiência de ferro induzida (acúmulos de ferro nos nós inferiores).
 
Anatômicos
Diferenciação prejudicial dos tecidos condutores;
Perda da atividade cambial.
 
Químicos
Aumento nas frações de nitrogênio alfa amínico e amídico;
Aumento no teor de putrescina;
Alto conteúdo de ácidos orgânicos;
Menor teor de açúcar e amido em órgãos de reserva.
 
·  Sintomas de excesso
 
Deficiência de magnésio induzida.
 
 
CÁLCIO
 
·  Sintomas de deficiência
 
 Visíveis
Amarelecimento de uma região da margem das folhas mais novas;
Crescimento não uniforme da folha, do qual resultam formas tortas, às vezes com um gancho na ponta;
Murchamento e morte das gemas terminais;
Gemas laterais dormentes;
Deformação de tubérculos acompanhada de desintegração interna;
Manchas necróticas internervais;
Murchamento das folhas e colapso do pecíolo;
As raízes mostram a deficiência precocemente: aparência gelatinosa das pontas, pêlos inchados, cessação do crescimento apical;
Pequena frutificação ou produção de frutos anormais (podridão estilar do tomate);
Produção pequena ou nula de sementes, mesmo com flores normais (em cereais);
Menor nodulação das leguminosas.
 
Anatômicos e histológicos
Mitocôndrios menores e com menos proteína;
As células radiculares não se diferenciam;
Dificuldades para a mitose.
  
·  Sintomas de excesso
 
Não são conhecidos, possível deficiência de potássio e magnésio.
 
 
MAGNÉSIO
 
·  Sintomas de deficiência
 
 Visíveis
Clorose das folhas, usualmente começando e sendo mais severa nas mais velhas; clorose internerval, às vezes necrose (cafeeiro); em algumas espécies a clorose é seguida pelo desenvolvimento de cor alaranjada, vermelha (algodoeiro) ou roxa; o padrão de clorose reflete a distribuição de magnésio no tecido.
 
Anatômicos
Numerosos cloroplastos pequenos.
 
Químicos
"Carregador" de fósforo ou simplesmente uma consequência do papel do magnésio em sistemas enzimáticos implicados no metabolismo do fósforo; menor teor de clorofila.
 
·  Sintomas de excesso
 
Não identificados; possível carência de potássio e cálcio.
 
 
ENXOFRE
 
·  Sintomas de deficiência
 
 Visíveis
Clorose, primeiro nas folhas mais novas;
Coloração adicional em algumas plantas - laranja, vermelho, roxo;
Folhas pequenas;
Enrolamento das margens das folhas;
Necrose e desfolhamento;
Internódios curtos;
Redução no florescimento;
Menor nodulação nas leguminosas.
 
Citológicos
Meiose anormal, talvez pela falta de proteínas com enxofre específica.
 
Químicos
Aumento no teor de carboidratos;
Diminuição nos açúcares  redutores;
Redução na síntese de proteína.
 
·  Sintomas de excesso
 
Clorose internerval em algumas espécies.
 
 
BORO
 
·  Sintomas de deficiência
 
 Visíveis
Folhas pequenas, com clorose irregular ou sem clorose, de formas bizarras ou deformadas, mais grossas e quebradiças, com nervuras suberificadas (cortiça) e salientes; às vezes tons vermelhos ou roxos;
Morte do meristema apical do caule – comum em muitas plantas (cafeeiro); a regeneração a partir de gemas axilares pode dar: galhos em leque (cafeeiro) na parte do ramo principal ou do caule; aspecto de arbusto (pinheiro), clorose, margens necróticas, deformação das folhas ocorrem diferentemente nas  várias espécies;
O caule às vezes racha (tomateiro, eucalipto);
As raízes podem ser escuras com as pontas engrossadas e depois necróticas e ramificadas;
O florescimento pode não ocorrer; frutos deformados com lesões externas e internas, cortiça na casca; má polinização.
  
Anatômicos
O parênquima desenvolve-se às custas de tecidos vasculares, as células em muitas partes da planta ficam maiores;
Paredes celulares muito finas;
Colapso dos vasos condutores.
 
·  Sintomas de excesso
 
Clorose reticulada (cafeeiro) e queima das margens (zonas de acumulação de boro).
 
 
CLORO
 
·  Sintomas de deficiência
 
 Visíveis
Diminuição no tamanho das folhas (primeiro sintoma);
Murchamento de folíolos apicais das folhas mais velhas (tomateiro);
Clorose, bronzeamento, necrose;
Supressão da frutificação;
Raízes curtas, não ramificadas.
 
·  Sintomas de excesso
 
Necrose das pontas e margens;
Amarelecimento prematuro e abscisão das folhas.
 
 
COBRE
 
·  Sintomas de deficiência
 
Visíveis
Folhas inicialmente verde-escuras localizadas em "ramos aquosos" vigorosos (laranjeiras), tornando-se cloróticas (pontas, margens); as folhas encurvam-se e as nervuras podem ficar muito salientes (cafeeiro). Falta de  perfilhamento e "topo caído"(cana-de-açúcar);
Morte descendente ("dieback") de ramos;
Gemas múltiplas.
 
Químicos
Aumento na concentração de nitrogênio alfa amínico; menor absorção de O2;
Deficiência de ferro induzida;
Manchas aquosas e depois necróticas das folhas; desfolhamento precoce (cafeeiro);
Diminuição no crescimento, diminuição na ramificação (cafeeiro);
Cessação do crescimento radicular e radículas energrecidas (cafeeiro).
 
 
FERRO
 
·  Sintomas de deficiência
 
 Visíveis
Clorose das folhas novas (rede verde fina das nervuras sobre fundo amarelado) seguida de branqueamento; o padrão coincide com a distribuição do ferro no tecido;
Diminuição no crescimento e na frutificação.
 
Químicos
Menor teor de clorofila, elevada produção de pigmentos vermelhos e amarelos;
Alta relação K/Ca;
Alto teor de ácido cítrico.
 
·  Sintomas de excesso
 
Manchas necróticas nas folhas.
 
 
MANGANÊS
 
·  Sintomas de deficiência
 
 Visíveis
Clorose das folhas novas (rede grossa das nervuras sobre fundo amarelado) seguida de branqueamento;
Manchas pequenas e necróticas nas folhas;
Formas anormais das folhas.
 
Citológicos
Cloroplastos vacuolados.
 
Químicos
Menor teor de amido.
 
Fisiológicos
Respiração diminuída, menor atividade fotossintética.
 
·  Sintomas de excesso
 
A princípio deficiência de ferro induzida, depois manchas necróticas ao longo do tecido condutor; encarquilhamento de folhas largas;
Menor nodulação nas leguminosa.
 
 
MOLIBDÊNIO
 
·  Sintomas de deficiência
 
 Visíveis
Clorose malhada geral, manchas amarelo-esverdeadas ou laranja brilhantes em folhas mais velhas e depois necrose (manchas relacionadas à distribuição de molibdênio);
Murcha das margens e encurvamento do limbo para cima (tomateiro) ou para baixo (cafeeiro);
Áreas úmidas e translúcidas em algumas espécies;
Floração pode ser suprimida;
Leguminosas podem mostrar sintomas de falta de nitrogênio;
No gênero Brassica o "rabo de chicote"  ("whiptail") consiste de folhas que crescem rapidamente quase desprovidas de limbo;
Menor nodulação nas leguminosas.
 
Químicos
Alto teor de nitrato.
 
·  Sintomas de excesso
 
Glóbulos amarelo-ouro no ápice da planta (tomateiro);
A faixa de concentração entre deficiência e excesso pode ser de um milhão de vezes.
 
 
ZINCO
 
·  Sintomas de deficiência
 
 Visíveis
Diminuição no comprimento dos internódios com a formação dos tufos terminais de folhas perenes ("rosette" de laranjeira, cafeeiro, pessegueiro) ou plantas anãs (milho, arroz, cana-de-açúcar);
Folhas novas pequenas, estreitas e alongadas;
Diminuição na produção de sementes.
 
Químicos
Acumulação de amidos (glutamina e asparagina) e nitrogênio alfa amínico;
Certos sintomas foliares podem ser induzidos pela aplicação de L (+) isoleucina;
Maior atividade da RNAse.
 
·  Sintomas de excesso
 
Indução de carência de ferro.
 
 
ALUMÍNIO
 
·  Sintomas de excesso
 
 Visíveis
Diminuição no crescimento de raízes; raízes engrossadas e pouco ramificadas;
Folhas podem mostrar sintomas de falta de fósforo, potássio, cálcio e magnésio.
 
Citológicos
Deformação  da parede celular;
Células radiculares com dois núcleos.
 
Químicos
Exaltação na atividade de oxidase do ácido indolacético;
Acúmulo de fósforo inorgânico  (menor fosforilação).
 
 
MALAVOLTA et al. (1997).

ANÁLISES DE SOLOS: Diferenças aceitáveis ou erros de laboratórios?

Freqüentemente os usuários das análises de solos se deparam com resultados diferentes para uma mesma amostra e se perguntam se a variação é normal ou se deve a erros dos laboratórios. Para responder a essa questão é preciso conhecer um pouco sobre as razões da variabilidade dos resultados das análises de solos. A mais importante é a decorrente de erros na amostragem realizada a campo.

É preciso coletar amostras compostas em áreas homogêneas (mesmo tipo de solo, cor, posição no relevo, manejo e adubação anterior, etc) e não misturar amostras de glebas diferentes. Cuidado especial é também necessário para com o número de subamostras por área (para formar a amostra composta): são necessárias pelo menos 15 subamostras por área para se ter alguma garantia de representatividade.

Outro ponto é escolher um laboratório qualificado. Mesmo assim, os resultados numéricos de análise de uma mesma amostra geralmente não se repetem. O solo é um material heterogêneo. Os fertilizantes e corretivos são distribuídos de forma desuniforme, por maior que seja o cuidado do agricultor. Mesmo uma amostra de solo homogeneizada em um balde tem variações. Uma minúscula partícula de calcário ou de fertilizante que esteja presente na subamostra usada na análise pode provocar alteração no resultado. Conhecer tal variabilidade facilita a compreensão e ajuda a melhor interpretar os resultados.

Veja o exemplo de uma amostra enviada por um agricultor a três laboratórios do Estado de São Paulo (exemplo real) e que produziu resultados diferentes. O agricultor comparou os dados, fez alguns cálculos sobre a variação em percentual e ficou alarmado. A pergunta é: algum dos laboratórios realmente errou?

No caso, é incorreto expressar as diferenças de resultados entre laboratórios em termos porcentuais, o que, geralmente, leva a interpretações erradas. Imagine dois resultados de determinação de P de 2 e 4 mg/dm3:
Expressos em porcentagem, a diferença é de 100%, porém, do ponto de vista prático, os resultados são semelhantes, suas interpretações as mesmas, e as doses de adubo recomendadas, iguais. O correto é examinar os resultados, e a sua variabilidade, à luz das faixas de interpretação definidas pela pesquisa e normalmente apresentadas no verso dos formulários de análise.

Mesmo para o K, para o qual é provável que a variabilidade dos resultados entre laboratórios esteja mais alta do que o desejável, os três resultados permitem concluir que os valores convergem para uma mesma interpretação. Caso o agricultor tivesse apenas um dos resultados (vamos supor que fosse o mais discrepante), o manejo da adubação não seria muito diferente. O erro - se houver - na quantidade de adubo potássico recomendada, para mais ou para menos, não seria grande e poderia ser compensada no próximo ano com nova avaliação da fertilidade.

Algumas sugestões para os agricultores com relação à análise de solo:

* Mantenha os resultados das análises dos vários anos (histórico da área), amostrando sempre os mesmos lotes, para acompanhar a evolução da fertilidade. Isso permitirá observar tendências, corrigir o manejo (se necessário) e planejar a adubação com objetivos de médio prazo. Ao mesmo tempo tornará possível detectar prováveis problemas analíticos e separá-los de variações normais de resultados.
* Cuidado na amostragem no campo. Esta é a maior fonte de erros.
* Em caso de dúvida consistente, peça para o laboratório repetir a análise na mesma amostra e com amostragem diferente.



O texto acima é parte do artigo escrito pelo Dr. Heitor Cantarella, Pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas-SP.

© 2010 FULLIN - Laboratório de Análise Agronômica, Ambiental e Preparo de Soluções Químicas
Av. Samuel Batista Cruz, 1099
Centro, Linhares-ES
CEP: 29.900-100

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